Como foi participar do GFNY Brasil

Participar de um Gran Fondo, está na lista de desejos de qualquer ciclista, e não era diferente comigo, esperava a oportunidade de participar e analisava a logística de ter que fazer isso fora do país.

Quando vi a chamada, com as tradicionais cores verde e preta e o anúncio que teríamos uma prova aqui no Brasil, e logo ali na serra fluminense do Rio de Janeiro, meu coração até bateu mais rápido e a decisão estava tomada, estaria na linha de largada em Conservatória no dia 06 de agosto.

Passada a ansiedade inicial pós clique, com a inscrição impressa, a prova já tinha começado, fui pesquisar o gráfico de altimetria e aquele frio na barriga inevitável e a dúvida se com aquele monte de subida eu chegaria ao final dos 160 km.

As semanas seguintes foram de treinos na medida do possível, pesquisas sobre o trajeto e countdown para o grande dia.

Nesse processo o grande desafio já tinha nome, Serra da Beleza, apesar da imagem do local ser de encher os olhos, pensar que enfrentaríamos 14 km de subida no trecho final, minava o psicológico e amolecia as pernas.

Saímos de São Paulo na véspera da prova, e fizemos uma viagem tranquila, passamos por Ipiabas e chegando em Conservatória, alguns ciclistas já testavam suas bicicletas em um dos trechos do trajeto.

A cidade já transpirava o mundo do ciclismo, a energia de pré prova era quase palpável, todos apaixonados pela bicicleta, gente de todo país e algumas bandeiras de fora. A arena montada, um local para expositores e retirada do kit, pegava pela primeira vez nas mãos, a placa e chip e a inédita camisa do GFNY Brasil.

Voltei ao Hotel Martinez, que escolhi pela proximidade da linha de largada e chegada, isso é fundamental para evitar aquela correria e fazermos a preparação com calma e termos certeza que nada ficou pra trás. Jantamos uma massa oferecida ao som de serestas e fui dormir e sonhar com o dia seguinte.

Acordar e olhar para fora e ver aquele céu azul e o mar verde de ciclistas e suas bicicletas é a certeza que você está no lugar que deveria estar, alinhei e aguardei a contagem e iniciar o primeiro metro desse sonho de 160 km.

A primeira parte já apresentou algumas subidas, o coração vai se acalmando, você acha o ritmo e vai ao som da respiração, o ciclismo permite você encontrar pessoas pelo caminho, conversar um pouco, compartilhar a alegria ou sofrimento e seguir o caminho.

Voltei a Conservatória para o segundo trecho, acreditando que teria um refresco até o próximo retorno, mas o vento estava contra e todo giro no pedal solicitava um pouco mais de esforço, o vento é um dos fatores que mais mina o psicológico, cheguei ao ponto de retorno cansado e pensando que a serra estava por vir.

Sentei na cadeira de um dos fiscais, muita água, comi bastante, relaxei uns minutos e parti para a linha de chegada, dessa vez o vento empurrava, e fui vencendo subida a subida, sabia que quando avistasse a Ponte dos Arcos, teria só descida até a chegada, e essa visão parecia uma miragem.

Atravessei a ponte com um sorriso no rosto e fui com o resto de força pra cruzar a linha e buscar minha tão esperada medalha do GFNY Brasil.

Depois da prova, só agradecer a organização, tivemos suporte durante todo o percurso, não faltou nada nos pontos de hidratação, fiscais simpáticos, enfim uma grande festa do ciclismo que você não pode deixar de participar em 2018.

Por: Ricardo Gaspar

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