Discutindo a Relação

Faltando pouco mais de 35 dias para o GFNY Brasil, vivo junto essa expectativa e preparação para a  prova, e até lá, dividirei isto com vocês, com informações que podem ajudar e motivar nesse  sprint final.

Me apresentando, sou o Ricardo Gaspar, publicitário, fotógrafo, fundador da One Bike Hub,  colaborador do Bike é Legal e Revista Bicicleta e ciclista em tempo integral, rodei pouco mais  de 30 mil quilômetros nos últimos anos e pedalei tudo que podia ser movido com os pés (road,  mtb, fixa, hibrída e até pedalinho), fiz muitas provas, cicloviagens e como entusiasta  apaixonado, sonho com a camisa verde e a medalha de finisher de um GFNY, sim, o do Brasil  será o meu primeiro e quero completar junto com todos vocês.

Assim que decidimos participar de uma prova, o primeiro passo é avaliar a altimetria e  distância, que significa a quantidade de metros que você irá subir entre o início e a linha final,  o percurso de Conservatória é desafiador, nos seus 160 km tem próximo a 3200 mts de  altimetria, e no de 72 km temos 1200 mts ou seja, tem muita subida pra todo mundo.

Pontos mais duros do percurso.

Teremos logo no início 7km de subida, depois um trecho curto antes de Ipiabas com 1 km, mas  com 14% de inclinação e a linda Serra da Beleza com seus 11km, o que nos tranquiliza é que se  tem subida, também tem muita descida, o que permite a recuperação, ou pelo menos ganhar  um fôlego novo.

Analisando o gráfico altimétrico da prova, vem uma decisão importante, definir qual relação  usar, é hora de discutirmos a relação.

Tudo que eu escrever, será uma visão mais abrangente, existe um fator principal que pode  mudar toda a equação, que é o fator humano, cada ciclista é diferente, por peso, força, corpo,  por isso o uso linhas gerais e de uma forma que seja acessível a grande parte.

Entendendo o que é a relação ou transmissão, é ela que basicamente põe a bicicleta em  movimento, transferindo a energia do ciclista para a bicicleta, é composto pelo pedivela, por  um conjunto de engrenagens e pela corrente, tudo deve ser compatível.

As bicicletas possuem dois conjuntos de engrenagens, na frente que chamamos de coroa que  variam de uma a três, as bicicletas de estrada geralmente possuem duas, e na roda atrás o  cassete, que pode chegar até 11 discos de tamanhos diferentes. São esses círculos com  pequenos dentes por onde passa a corrente, que definem a energia necessária para coloca-la  em movimento, e que chamamos de marchas, quanto maior a da frente, maior será o força e  quanto maior a de trás menor será o esforço, a combinação entre ambas permite encontrar  um grande número de possibilidades. A multiplicação da quantidade da frente com a de trás é  o número de marchas da sua bicicleta.

São esses conjuntos que definem a composição que queremos, podemos escolher entre  relações mais pesadas e mais leves, dependendo de como a prova irá se apresentar, é preciso  sempre verificar a compatibilidade entre as partes antes de qualquer mudança, o tamanho do  cage (peça de metal por onde passam as roldanas) e a corrente.

Voltando um pouco na história, não só as bicicletas mudam com o tempo mas a forma de  pedalar também, antes acreditava-se que pedalar com as marchas mais pesadas era o ideal,  com o Armstrong iniciou-se a era da cadência, girar mais, sem esgotar a musculatura, assim  você conseguiria ter um rendimento alto por um tempo maior, e com isso, o conjunto de  relações foi mudando, pois era importante você conseguir segurar a cadência alta nas  diferenças de planos, hoje temos conjuntos de 11 engrenagens (catracas) atrás, permitindo  que você tenha uma sútil diferença em cada marcha e consiga manter o giro.

Tudo isso, para entendermos, qual a melhor relação para uma prova de longa distância e  grande altimetria, a escolha correta pode ser a diferença entre completar ou não, a sugestão é  de ir com um conjunto mais leve, que permita você encarar as longas subidas sem grande  desgaste muscular (relação 34/50 32/11), lembre-se sempre da compatibilidade entre frente e  trás, teste e treine, o importante é o ciclista se sentir confortável. A melhor maneira, é buscar  locais semelhantes ao da prova e sentir o desempenho e definir a necessidade ou não de  alguma mudança na relação.

Dicas para Subir:

  • Não gire leve demais
  • Não gire pesado demais
  • Mantenha o SEU ritmo
  • Incline o torso a frente
  • Varie a posição no selim
  • Hidrate-se
  • Paciência e concentração
  • Pneus calibrados
  • Aprecie a paisagem

Agradecimento ao Caetano Barreira proprietário da Velodrome e profundo conhecedor, deu  uma aula sobre relação e as mudanças do esporte, para que o texto fosse construído.

Texto: Ricardo Gaspar
onebikehub@gmail.com
Fotos: internet

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